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quinta-feira, 21 de julho de 2016

De Harry Potter a Tarzan, David Yates não faz boa transição e exibe filme pouco convincente

Sob a direção de David Yates, A Lenda de Tarzan exibe narrativa pouco convincente, marcada pelo excesso de computação gráfica de eficiência duvidosa, perceptível na inverossimilhança de várias sequências. Todavia, Alexander Skarsgård na pele de Tarzan e Margot Robbie como Jane dialogam com a proposta mais sensual do filme, apesar disso não ser o suficiente para torná-lo consistente. 

Imagem/Warner Bros. Pictures

Na trama, John Clayton/Tarzan encontra-se civilizado ao lado de Jane em Londres, mas isso logo muda quando ele aceita um convite do governo para contribuir com a investigação de uma suposta escravização do povo congolense. Em meio a isso, algumas cenas que poderiam render belas incursões pela África parecem ter sido substituídas pela ação em estúdio, nem mesmo a iluminação ou os efeitos de pós foram bem-sucedidos o suficiente para compor uma atmosfera mais realista.

Entretanto, as imagens panorâmicas funcionam e conseguem trazer uma ambiência ao longa, da mesma forma, a ideia de utilizar o Tarzan como um símbolo de reciprocidade entre nações é plausível, apesar de causar um certo estranhamento à primeira vista. Já a condução do personagem central e da fiel amada segue um caminho típico, aliás, os atores até se esforçam, mas falta direção.

Do ponto de vista de marketing, a opção por Alexander Skarsgård e Margot Robbie para encarnar o casal clássico é bem-sucedida, no entanto, tudo parece forçado e mais lembra a estética empregada em comerciais de perfume. A iluminação quente e os closes na bela atriz e no corpo esculpido do ator conversam com a ideia de sensualidade, mas isto pouco acrescenta a história.

Mais uma vez na pele do vilão, o talentoso Christoph Waltz acaba agindo no automático e resvala no lugar comum, assim como o veterano Samuel L. Jackson. Aliás, David Yates é reconhecido pelo trabalho de sucesso em quatro títulos da franquia Harry Potter, mas, infelizmente, o mesmo resultado não é obtido nesta nova e audaciosa investida do diretor.

Christoph Waltz em cena - Imagem/Warner Bros. Pictures

Outro aspecto de destaque está relacionado aos efeitos especiais, principalmente na constituição dos primatas, os animais em nada lembram o grau de realidade adquirido em O Planeta dos Macacos: O confronto (2014), por exemplo. Além disso, boa parte das lutas corporais protagonizadas pelo herói rendem uma sucessão de acrobacias pouquíssimo convincentes, nas quais ele mais parece um X-Men do que o homem comum criado na selva.

No mais, A Lenda de Tarzan apresenta uma trilha musical simpática e funcional, a fotografia não é inovadora ou mesmo compõe uma identidade marcante, porém é afável aos olhos. O roteiro poderia ter sido melhor estruturado de acordo com as reais possibilidades da produção, investindo em situações mais elaboradas, os efeitos especiais também poderiam ter sido repensados de forma cautelosa. Enfim, mais uma aventura para o entretenimento do público, um passatempo.


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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Ponto de vista sobre novo filme da franquia Caça-Fantasmas

Acessem o É Cinematográfico no YouTube e confiram a crítica do filme Caça-Fantasmas, produção que estreia hoje nos cinemas nacionais.


Confira o vídeo aqui.


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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Caixa Cultural exibe filmes tailandeses inéditos no Brasil

De 12 a 24 de julho, a Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta a mostra Cinema Tailandês e exibirá 12 filmes, entre longas e curtas. A maioria do acervo é composto por material inédito no Brasil, nem mesmo em DVD ou Blu-ray as produções encontravam-se disponíveis para o público brasileiro. 

Divulgação

A produção tailandesa tem se destacado mundo afora por diretores como Apichatpong Weerasethakul, de pseudônimo "Joe", cujo longa Síndromes e um Século (2006) estará presente na mostra. Cineastas reconhecidos como Chatrichalerm Yukol, Pen-Ek Ratanaruang e Nawapol Thamrongrattanatir também terão os trabalhos expostos.

O cinema chegou ao Brasil e à Tailândia no mesmo período e se desenvolveu de forma bem parecida nos dois países – inicialmente, uma curiosidade trazida pela alta classe, e depois, uma grande fonte de entretenimento para a população. Os filmes realizados entre as décadas de 1940 e 1980 se assemelham à produção brasileira, com melodramas, musicais e comédias populares sobre a vida no campo.

Responsáveis pela curadoria, Fabiano de Freitas e Victor Dias ressaltam a maior presença de personagens gays, lésbicas e transexuais nos filmes tailandeses, inclusive como protagonistas, algo menos recorrente no Brasil, EUA, França e outros pólos cinematográficos importantes. 

Divulgação
Confira a programação


12 de julho (terça−feira)
16h - Freelance: Ataque do Coração (2015), de Nawapol Thamrongrattanarit, Tailândia, Digital, 130 min, Livre.
19h - Transistor Monrak (2002), de Pen-Ek Ratanaruang, Tailândia, Digital,129 min, 14 anos.
13 de julho (quarta−feira)
17h – Tongpan (1977), de Euthana Mukdasanit e Surachai Jamtimatorn, Tailândia, Digital, 63 min, 10 anos.
18h - O Cidadão (1977), de Chatrichalerm Yukol, Tailândia, Digital, 124 min, 10 anos.
14 de julho (quinta−feira)
16h - Para Sempre Seu (1955), de Ratana Pestonjii, Tailândia, Digital, 112 min, 10 anos.
18h30 - Seda Negra (1961), de Ratana Pestonji e Ratanavadi Ratanabhand, Tailândia, Digital, 129 min, 12 anos.
15 de julho (sexta−feira)
17h - Perigo em Bangkok (2000), de Danny Pang e Oxide Pang, Tailândia, Digital, 105 min, 16 anos.
19h - As Damas de Ferro (2000), de Yongyoot Thongkongtoon, Tailândia, Digital, 104 min, Livre.
16 de julho (sábado)
16h15 - Seda Negra (1961), de Ratana Pestonji e Ratanavadi Ratanabhand, Tailândia, Digital, 129 min, 12 anos.
18h45h - Ponto de Fuga (2015), de Jakrawal Nilthamrong, Tailândia/Holanda, Digital,100 min, 14 anos.
17 de julho (domingo)
17h10 - História Mundana (2009), de Anocha Suwichakornpong, Tailândia, Digital, 82 min, 10 anos.
19h - Perigo em Bangkok (2000), de Danny Pang e Oxide Pang, Tailândia, Digital, 105 min, 16 anos.
19 de julho (terça−feira)
17h - As Damas de Ferro (2000), de Yongyoot Thongkongtoon, Tailândia, Digital,104 min, Livre.
19h - Síndromes e Um Século (2006), de Apichatpong Weerasethakul, Tailânda / França / Áustria, Digital, 105 min, 10 anos.
20 de julho (quarta−feira)
17h - Ponto de Fuga (2015), de Jakrawal Nilthamrong, Tailândia/Holanda, Digital, 100 min, 14 anos.
19h - História Mundana (2009), de Anocha Suwichakornpong, Tailândia, Digital, 82 min, 10 anos.
21 de julho (quinta−feira)
17h - Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), de Apichatpong Weerasethakul, Tailândia / Reino Unido / França / Alemanha / Espanha / Holanda, Digital, 114 min, 10 anos.
19h30 − Tongpan (1977), de Euthana Mukdasanit e Surachai Jamtimatorn, Tailândia, Digital, 63 min, 10 anos.
22 de julho (sexta−feira)
16h00 - Transistor Monrak (2002), de Pen-Ek Ratanaruang, Tailândia, Digital, 129 min, 14 anos.
18h30 - Para Sempre Seu (1955), de Ratana Pestonjii, Tailândia, Digital, 112 min, 10 anos.
23 de julho (sábado)
14h50 - Síndromes e Um Século (2006), de Apichatpong Weerasethakul, Tailânda / França / Áustria, Digital, 105 min, 10 anos.
17h - Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), de Apichatpong Weerasethakul, Tailândia / Reino Unido / França / Alemanha / Espanha / Holanda, Digital, 114 min, 10 anos.
19h30 – Debate O Cinema Tailandês na Contemporaneidade.
Com Ruy Gardner e Victor Dias. Mediando o  debate Fabiano de Freitas.
24 de julho (domingo)
16h - O Cidadão (1977), de Chatrichalerm Yukol, Tailândia, Digital, 124 min, 10 anos.
18h20 - Freelance: Ataque do Coração (2015), de Nawapol Thamrongrattanarit, Tailândia, Digital, 130 min, Livre.
  
Serviço

Mostra Cinema Tailandês
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 2.
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: 12 a 24 de julho de 2016 (terça-feira a domingo)
Horário: Consultar Programação
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes Caixa pagam meia.
Lotação: 80 lugares (mais três para cadeirantes)
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h.
Classificação Indicativa: exposta na programação
Acesso para pessoas com deficiência  
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

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sábado, 11 de junho de 2016

(Review) Tensão e sustos, sequência consolida Invocação do Mal como franquia de peso

Movimentos de câmera criativos e planos caprichados em uma experiência estética bem-sucedida, nesta sequência, James Wan conduz o olhar do expectador em um novo capítulo marcado por tensão e horror, consolidando assim a identidade de Invocação do Mal. Além disso, aprofunda a relação entre os personagens de Patrick Wilson e Vera Farmiga, ela segue impagável no papel.

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Imagem/Warner Bros. Pictures
Baseado em fatos reais, o longa exibe a história de uma família atormentada por fenômenos sobrenaturais em Infield, na Inglaterra de 1977. Desta vez, Ed e Lorraine terão motivos para desconfiar da veracidade deste caso, todavia, o pavor intenso por conta dos terríveis presságios da paranormal, inclusive, uma das visões não reveladas no primeiro título será trazida à tona agora.

Os primeiros minutos de exibição deixam clara a experimentação visual conseguida na fluidez dos pequenos planos-sequência e dos cortes, por vezes, imperceptíveis, isso em equilíbrio com os ângulos e movimentos de câmera dinâmicos e criativos. Destaque para o uso desses recursos nos momentos de desdobramento da médium para o 'outro mundo', especialmente, na cena ambientada em Amityville que segue como provável um gancho para outra produção.

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Imagem/Warner Bros. Pictures
Assim como no primeiro título de 2013, o prólogo flerta com a linguagem de documentário e reafirma assim a ideia de uma narrativa embasada em fatos verídicos, isso associado aos recursos de som empregados com o intuito de provocar pavor, tais aspectos dão o tom da franquia. Aliás, James Wan também está a frente do nome Sobrenatural, cujo filme recente foi conduzido por Leigh Whannell. 

Outro acerto é a manutenção do elenco, os rostos conhecidos trazem maior credibilidade, especialmente, neste roteiro que aprofunda a relação afetiva do casal de investigadores. Todavia, o protagonismo fica mesmo por conta de Vera Farmiga, ela parece tornar tudo crível, o próprio olhar da atriz já é um indicador sensível dos acontecimentos.

Imagem/Warner Bros. Pictures
Todavia, o excesso de efeitos especiais investido em algumas entidades ou situações pontuais soa desnecessário diante de toda a indumentária e terror provocado pela trama em si ou mesmo pela criatura nefasta que tanto amedronta Lorraine. De qualquer forma, o horror tem um repertório próprio muito conhecido, mas em meio a isso, Wan conseguiu compor com sucesso uma identidade para a franquia.

Apesar da produção anterior exibir um roteiro simples, porém mais 'redondo', este novo filme demonstra maior maturidade nos argumentos empregados e no desenvolvimento da relação afetiva dos personagens centrais, além de um crescimento cinematográfico marcado pelas ousadias visuais. Destaque para a criatura demoníaca e toda a ideia de incerteza, desconfiança e medo que rondam a existência humana.

Com uma atmosfera sombria permeada por cenas de pura tensão, reviravoltas, trabalhos interessantes com sombras e espelhos, além de uma peculiar irreverência, Invocação do Mal 2 consegue provar que as continuações podem render gratas surpresas. Recomendo!  


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