Páginas

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

'Quando as Luzes se Apagam' provoca sustos e tensão, mas não se destaca

Baseado no curta lançado em 2013, Quando as Luzes se Apagam promove momentos de horror e confirma a boa desenvoltura do cineasta David Sandberg em produções do gênero. No entanto, o longa-metragem exibe uma narrativa pouco consistente marcada por atuações questionáveis e uma trilha sonora dispensável.

quando_as_luzes_se_apagam
Imagem/Warner Bros. Pictures
Na trama, Rebecca atende ao pedido de ajuda do irmão caçula, mas ao fazer isso ela irá se deparar com lembranças de um passado familiar conturbado e precisará lidar com o desequilíbrio mental da mãe e enfrentar uma entidade monstruosa capaz de exterminar todos ao redor.

Na pele da matriarca, a atriz Maria Belo é até bem aproveitada, já Teresa Palmer como a filha independente não passa a credibilidade exigida pelo papel, neste sentido, a ideia de manter a jovem sempre maquiada e com um visual atraente mesmo em cenas mais tensas não contribui para a veracidade de toda a situação. 

Por mais cruel que o comentário pareça, também é perceptível a falta de naturalidade do ator mirim, Gabriel Bateman, em uma performance marcada pelo exagero, além disso, o personagem apresenta uma suposta maturidade bastante conveniente ao roteiro, ou seja, nada soa orgânico.

A dificuldade no equilíbrio das interpretações, a história ávida por atender aos requisitos e códigos típicos do horror, além do compromisso excessivo com uma estética hollywoodiana dificultam o crescimento da trama como um todo e levam a questionamentos sobre a concretude do roteiro de Erick Eisser ou mesmo sobre o papel do diretor na escolha do elenco ou mesmo na orientação deles em cena.

Imagem/Warner Bros. Pictures

Nesta linha, a trilha musical não contribui e exibe uma melodia bastante típica a filmes de suspense para a televisão, algo dispensável para a proposta narrativa que ganharia ainda mais ao investir nos silêncios ou mesmo em uma trilha ousada e pontual.

Por outro lado, a objetividade empregada também proporciona aspectos positivos e a ideia de já nos primeiros cinco minutos apresentar a entidade monstruosa em ação funciona como um bom gancho a ser explicado ao longo dos 81 minutos de exibição. Destaque para o momento inicial que conta com a participação especial de Lotta Losten, estrela dos principais curtas de Sandberg.

É preciso ser justo, inovar é algo dificílimo, especialmente em produções mainstream, mas vale ressaltar o notório conhecimento e intimidade do cineasta com o horror, algo visível em cenas bem-sucedidas de tensão, pontuadas por alguns sustos típicos, porém eficientes. Outro ponto positivo é o uso do flashback no momento apropriado, porém é a forma como isto se apresenta na tela que o deixa quase fluído.

O filme oferece uma história simples, com argumentos pouco desenvolvidos mas eficientes ao proposto, de qualquer forma, é sempre bom ver um cineasta tão engajado com o gênero alcançar a oportunidade de realizar um longa-metragem, além do mais, orquestrar uma produção de grande estúdio não é algo fácil, outras questões entram em jogo.

Dentro do esperado da cinematografia típica de terror, Quando as luzes se apagam cumpre o objetivo, mas não se destaca, assista sem grandes expectativas.


Saiba Mais »

quinta-feira, 21 de julho de 2016

De Harry Potter a Tarzan, David Yates não faz boa transição e exibe filme pouco convincente

Sob a direção de David Yates, A Lenda de Tarzan exibe narrativa pouco convincente, marcada pelo excesso de computação gráfica de eficiência duvidosa, perceptível na inverossimilhança de várias sequências. Todavia, Alexander Skarsgård na pele de Tarzan e Margot Robbie como Jane dialogam com a proposta mais sensual do filme, apesar disso não ser o suficiente para torná-lo consistente. 

Imagem/Warner Bros. Pictures

Na trama, John Clayton/Tarzan encontra-se civilizado ao lado de Jane em Londres, mas isso logo muda quando ele aceita um convite do governo para contribuir com a investigação de uma suposta escravização do povo congolense. Em meio a isso, algumas cenas que poderiam render belas incursões pela África parecem ter sido substituídas pela ação em estúdio, nem mesmo a iluminação ou os efeitos de pós foram bem-sucedidos o suficiente para compor uma atmosfera mais realista.

Entretanto, as imagens panorâmicas funcionam e conseguem trazer uma ambiência ao longa, da mesma forma, a ideia de utilizar o Tarzan como um símbolo de reciprocidade entre nações é plausível, apesar de causar um certo estranhamento à primeira vista. Já a condução do personagem central e da fiel amada segue um caminho típico, aliás, os atores até se esforçam, mas falta direção.

Do ponto de vista de marketing, a opção por Alexander Skarsgård e Margot Robbie para encarnar o casal clássico é bem-sucedida, no entanto, tudo parece forçado e mais lembra a estética empregada em comerciais de perfume. A iluminação quente e os closes na bela atriz e no corpo esculpido do ator conversam com a ideia de sensualidade, mas isto pouco acrescenta a história.

Mais uma vez na pele do vilão, o talentoso Christoph Waltz acaba agindo no automático e resvala no lugar comum, assim como o veterano Samuel L. Jackson. Aliás, David Yates é reconhecido pelo trabalho de sucesso em quatro títulos da franquia Harry Potter, mas, infelizmente, o mesmo resultado não é obtido nesta nova e audaciosa investida do diretor.

Christoph Waltz em cena - Imagem/Warner Bros. Pictures

Outro aspecto de destaque está relacionado aos efeitos especiais, principalmente na constituição dos primatas, os animais em nada lembram o grau de realidade adquirido em O Planeta dos Macacos: O confronto (2014), por exemplo. Além disso, boa parte das lutas corporais protagonizadas pelo herói rendem uma sucessão de acrobacias pouquíssimo convincentes, nas quais ele mais parece um X-Men do que o homem comum criado na selva.

No mais, A Lenda de Tarzan apresenta uma trilha musical simpática e funcional, a fotografia não é inovadora ou mesmo compõe uma identidade marcante, porém é afável aos olhos. O roteiro poderia ter sido melhor estruturado de acordo com as reais possibilidades da produção, investindo em situações mais elaboradas, os efeitos especiais também poderiam ter sido repensados de forma cautelosa. Enfim, mais uma aventura para o entretenimento do público, um passatempo.


Saiba Mais »

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Ponto de vista sobre novo filme da franquia Caça-Fantasmas

Acessem o É Cinematográfico no YouTube e confiram a crítica do filme Caça-Fantasmas, produção que estreia hoje nos cinemas nacionais.


Confira o vídeo aqui.


Saiba Mais »

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Caixa Cultural exibe filmes tailandeses inéditos no Brasil

De 12 a 24 de julho, a Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta a mostra Cinema Tailandês e exibirá 12 filmes, entre longas e curtas. A maioria do acervo é composto por material inédito no Brasil, nem mesmo em DVD ou Blu-ray as produções encontravam-se disponíveis para o público brasileiro. 

Divulgação

A produção tailandesa tem se destacado mundo afora por diretores como Apichatpong Weerasethakul, de pseudônimo "Joe", cujo longa Síndromes e um Século (2006) estará presente na mostra. Cineastas reconhecidos como Chatrichalerm Yukol, Pen-Ek Ratanaruang e Nawapol Thamrongrattanatir também terão os trabalhos expostos.

O cinema chegou ao Brasil e à Tailândia no mesmo período e se desenvolveu de forma bem parecida nos dois países – inicialmente, uma curiosidade trazida pela alta classe, e depois, uma grande fonte de entretenimento para a população. Os filmes realizados entre as décadas de 1940 e 1980 se assemelham à produção brasileira, com melodramas, musicais e comédias populares sobre a vida no campo.

Responsáveis pela curadoria, Fabiano de Freitas e Victor Dias ressaltam a maior presença de personagens gays, lésbicas e transexuais nos filmes tailandeses, inclusive como protagonistas, algo menos recorrente no Brasil, EUA, França e outros pólos cinematográficos importantes. 

Divulgação
Confira a programação


12 de julho (terça−feira)
16h - Freelance: Ataque do Coração (2015), de Nawapol Thamrongrattanarit, Tailândia, Digital, 130 min, Livre.
19h - Transistor Monrak (2002), de Pen-Ek Ratanaruang, Tailândia, Digital,129 min, 14 anos.
13 de julho (quarta−feira)
17h – Tongpan (1977), de Euthana Mukdasanit e Surachai Jamtimatorn, Tailândia, Digital, 63 min, 10 anos.
18h - O Cidadão (1977), de Chatrichalerm Yukol, Tailândia, Digital, 124 min, 10 anos.
14 de julho (quinta−feira)
16h - Para Sempre Seu (1955), de Ratana Pestonjii, Tailândia, Digital, 112 min, 10 anos.
18h30 - Seda Negra (1961), de Ratana Pestonji e Ratanavadi Ratanabhand, Tailândia, Digital, 129 min, 12 anos.
15 de julho (sexta−feira)
17h - Perigo em Bangkok (2000), de Danny Pang e Oxide Pang, Tailândia, Digital, 105 min, 16 anos.
19h - As Damas de Ferro (2000), de Yongyoot Thongkongtoon, Tailândia, Digital, 104 min, Livre.
16 de julho (sábado)
16h15 - Seda Negra (1961), de Ratana Pestonji e Ratanavadi Ratanabhand, Tailândia, Digital, 129 min, 12 anos.
18h45h - Ponto de Fuga (2015), de Jakrawal Nilthamrong, Tailândia/Holanda, Digital,100 min, 14 anos.
17 de julho (domingo)
17h10 - História Mundana (2009), de Anocha Suwichakornpong, Tailândia, Digital, 82 min, 10 anos.
19h - Perigo em Bangkok (2000), de Danny Pang e Oxide Pang, Tailândia, Digital, 105 min, 16 anos.
19 de julho (terça−feira)
17h - As Damas de Ferro (2000), de Yongyoot Thongkongtoon, Tailândia, Digital,104 min, Livre.
19h - Síndromes e Um Século (2006), de Apichatpong Weerasethakul, Tailânda / França / Áustria, Digital, 105 min, 10 anos.
20 de julho (quarta−feira)
17h - Ponto de Fuga (2015), de Jakrawal Nilthamrong, Tailândia/Holanda, Digital, 100 min, 14 anos.
19h - História Mundana (2009), de Anocha Suwichakornpong, Tailândia, Digital, 82 min, 10 anos.
21 de julho (quinta−feira)
17h - Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), de Apichatpong Weerasethakul, Tailândia / Reino Unido / França / Alemanha / Espanha / Holanda, Digital, 114 min, 10 anos.
19h30 − Tongpan (1977), de Euthana Mukdasanit e Surachai Jamtimatorn, Tailândia, Digital, 63 min, 10 anos.
22 de julho (sexta−feira)
16h00 - Transistor Monrak (2002), de Pen-Ek Ratanaruang, Tailândia, Digital, 129 min, 14 anos.
18h30 - Para Sempre Seu (1955), de Ratana Pestonjii, Tailândia, Digital, 112 min, 10 anos.
23 de julho (sábado)
14h50 - Síndromes e Um Século (2006), de Apichatpong Weerasethakul, Tailânda / França / Áustria, Digital, 105 min, 10 anos.
17h - Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), de Apichatpong Weerasethakul, Tailândia / Reino Unido / França / Alemanha / Espanha / Holanda, Digital, 114 min, 10 anos.
19h30 – Debate O Cinema Tailandês na Contemporaneidade.
Com Ruy Gardner e Victor Dias. Mediando o  debate Fabiano de Freitas.
24 de julho (domingo)
16h - O Cidadão (1977), de Chatrichalerm Yukol, Tailândia, Digital, 124 min, 10 anos.
18h20 - Freelance: Ataque do Coração (2015), de Nawapol Thamrongrattanarit, Tailândia, Digital, 130 min, Livre.
  
Serviço

Mostra Cinema Tailandês
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 2.
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: 12 a 24 de julho de 2016 (terça-feira a domingo)
Horário: Consultar Programação
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes Caixa pagam meia.
Lotação: 80 lugares (mais três para cadeirantes)
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h.
Classificação Indicativa: exposta na programação
Acesso para pessoas com deficiência  
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

Saiba Mais »