‘Passageiros’: romance espacial marcado por belos efeitos visuais

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Sob a direção de Morten Tyldum, Passageiros exibe ficção científica de viés romântico com pitadas de humor agradáveis e belos efeitos visuais. Todavia, a trama estrelada por Chris Pratt (Guardiões da Galáxia) e Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso) oscila e soa pouco consistente na tentativa de casar ação, romance e comédia a uma narrativa de aventura espacial.

Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) em momento delicado. Imagem/Columbia Pictures

Imagine 258 tripulantes e 5000 passageiros a bordo de uma nave espacial de última geração rumo à outra galáxia, agora acrescente a isso o fato de todos estarem hibernados em uma espécie de capsula capaz de evitar o envelhecimento. Durante esta jornada, se você fosse acordado 90 anos antes da chegada ao destino, o que você faria?

“O afogado sempre irá arrastar alguém com ele”

Passageiros propõe algumas reflexões sobre existencialismo e ética, todavia, isso é feito de forma rasa, porém, condizente com a proposta mais comercial do título. Ainda assim, tal abordagem rende momentos intimistas, todos bem fotografados e pontuados por efeitos visuais sofisticados e finalizados com esmero, aliás, as sequências de perda da estabilidade gravitacional merecem destaque.

Imagem/Columbia Pictures

Todavia, o aspecto científico fica em segundo plano quando a relação entre o casal passa a ser o foco das atenções, tal investida é divertida e cativa o expectador, inclusive, remetendo ao repertório mais usual das comédias românticas, tudo isso acompanhado pelo androide Arthur, interpretado por Michael Sheen, aliás, o ator merece créditos pela atuação competente.

Imagem/Columbia Pictures

Mas se existe uma linearidade feliz na interpretação de Sheen, o casal vivido por Pratt e Lawrence tem a árdua tarefa de sustentar um filme de poucos personagens e se, por vezes, demonstram uma ótima performance, em outros momentos parecem perdidos, tal situação pode indicar uma dificuldade do diretor no encadeamento das cenas e na equalização do elenco.

Outro ponto preocupante é a sensação de que o filme parece abandonar a condição de aventura sci-fi e a retoma em determinados momentos apenas para costurar o roteiro. Na verdade, o longa não parece fluir com tanta  naturalidade e apesar de uma cena ou outra remeter ao bem-sucedido Gravidade (2013), o filme envereda por outro caminho e isso não é um problema, apenas uma escolha.

Potencial para algo maior

Vale destacar a importância do argumento adotado por Jon Pahits , todavia, o roteirista parece ter enfrentado dificuldades ao tentar agradar aos mais variados públicos.

Não fossem os cenários diferenciados e objetos futuristas, a percepção seria de uma miscelânea de diferentes gêneros cinematográficos, inclusive, com direito a um emaranhado de típicas resoluções, algumas até pouco críveis. Talvez, Morten Tyldum também tenha enfrentado esse mesmo obstáculo.

É frustrante perceber o imenso potencial de uma produção resultar em apenas um passatempo agradável. Ainda assim, o romance intergalático de Passageiros pode render torcida e bons momentos de descontração, inclusive, acompanhados por um grande balde de pipoca.

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