‘A Bela e a Fera’ ainda diverte e emociona

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Sob a direção de Bill Condon, o live-action de A Bela e a Fera exibe narrativa marcada por altos e baixos, mas independente dos percalços, o filme estrelado por Emma Watson rende bons momentos e consegue divertir e emocionar.

Imagem/Disney

Inspirado em uma publicação do século XVIII a história sobre o nobre enfeitiçado ganhou diversas produções audiovisuais, todavia, conquistou o mundo em 1991 com o lançamento da adaptação da Disney. Nesta nova releitura, uma das mais aguardadas, o plot se mantém próximo daquilo proposto pelo desenho animado.

A comparação com o título da década de 1990 torna-se inevitável e em diversos momentos mais parece uma transposição de cenas para o live-action, ainda assim com determinadas distinções, algumas proveitosas e outras nem tanto.

O tom over the top comanda os primeiros minutos da exibição, inclusive, com a aparição de Dan Stevens na pele de uma espécie de Luiz XIV, aliás, a ideia de ambientar a narrativa nos moldes do que poderia ter sido a corte do rei sol é um acerto, porém, a afetação excessiva do ator soa um tanto descoordenada e mais parece falta de direção artística.

Na verdade, o primeiro ato opta pelo excesso e fica neste misto entre o caricato e algo crível, assim como a vaidade estilo cartoon do Gastão de Luke Evans que no crescente da narrativa revela um lado monstruoso. Da mesma maneira, a rápida demonstração do relacionamento entre Bela e o antagonista poderia ter sido melhor desenvolvida no live-action, assim como ocorreu em outros aspectos da trama.

Imagem/Disney

Neste sentido, as comparações com a produção de 1991 resultam em uma verdadeira faca de dois gumes, pois a associação a um ‘produto’ de sucesso gera uma maior aceitação do público, no entanto, pode suscitar cobranças por mais criatividade ou mesmo por uma maior concretude da obra com atores de carne e osso, mesmo que o mundo ficcional seja do gênero fantástico.

Novo ato: melhor adequação

No segundo ato, o filme parece se encontrar, mas são os famosos objetos vivos que roubam a cena, Ewan McGregor, por exemplo, empresta a bela voz ao Lumière e rende ótimo vocal bem ao estilo musical hollywoodiano, assim como há espaço para o simpático Horloge de Ian McKellen, ou mesmo para a doce Sra. Potts (o bule) de Emma Thompson.

Imagem/Disney

Enquanto isso, o ator Josh Gad é responsável pelo humor na pele do LeFou, o fiel escudeiro do vilão, diga-se de passagem, o longa dialoga com as propostas de inclusão e representatividade, aliás, uma preocupação bastante visível, inclusive, na inserção de atores negros ao elenco, vide Gugu MBatha-Raw e Audra McDonald como Madame Garderobe, o armário cantante.

Vale ressaltar o empenho dos roteiristas ao tentar explicar algumas questões obscuras da animação, como a falta da figura materna de Bela ou mesmo ao evidenciar uma série de semelhanças e diferenças entre a família da jovem e a do rei, algo que humaniza ainda mais essas figuras de contos de fadas.

A grande problemática é a formatação disso, por exemplo, a utilização de um objeto mágico inesperado como uma maneira de desvendar o passado ou mesmo o uso de um rápido flashback apenas para reiterar o comportamento do pai de um deles e traçar um comparativo, talvez, não tenham sido as ideias mais engenhosas, mas foram escolhas feitas com o intuito de atender ao pretendido e assim amarrar a trama.

Difícil não amar

Apesar da sensação de que falta liga e um maior engajamento entre Emma Watson e Dan Stevens, não há como resistir ao percurso já conhecido, como não esbanjar um sorriso nas divertidas ‘guerras’ de neve entre os protagonistas? Como não se sentir tocado pelo nascimento de algo tão feliz entre figuras aparentemente tão diferentes?

Um grande sentimento embalado pela cantoria de um bule encantado, sim, a icônica sequência do ‘baile de gala’ consegue transmitir a mesma magia de 26 anos atrás, eis um grande acerto que deve ser destacado.

Entretanto, como trabalho cinematográfico faltou um pouco, mas, com certeza, a produção tem potencial para divertir e comover a maciça parte daqueles que conheceram a obra da Disney ainda criança, já para as novas gerações pode funcionar como um entretenimento simpático.

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