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‘Annabelle 2’ exibe atmosfera sombria bem construída e sustos eficientes

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Sob a direção de David F. Sandberg, ‘Annabelle 2: A Criação do Mal’ é um dos títulos que contradizem a máxima do primeiro ser sempre melhor que a sequência. Com um roteiro melhor desenvolvido, movimentos engenhosos de câmera, uma atmosfera de suspense bem construída e sustos eficientes, o longa tem mais êxito que o precursor de 2014.

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Imagem/Warner Bros. Pictures

Na trama, meninas órfãs, sob a responsabilidade de uma freira, hospedam-se na residência de um casal marcado por uma perda trágica. Todavia, o que a princípio parece ser uma benção para as visitantes, cede espaço a situações assustadoras e resulta em uma história macabra.

Como o próprio título indica, a narrativa antecede os eventos da produção de 2014 e faz um retorno no tempo, ao que seria a origem da boneca aterrorizante. Responsável pelo roteiro do filme anterior, Gary Dauberman agora parece mais atento e empenhado em trazer uma identidade condizente com os demais longas que citam Annabelle.

Mas é David F. Sandberg quem traz o maior diferencial à obra, o diretor constrói uma atmosfera de terror com assinatura, basta observar os curtas autorais dele, como Lights Out (2013) e Attic Panic (2015), fica nítido o cinema de autor trazido para esta grande produção de circuito comercial.

A ideia de trabalhar sombra e luz, como a lâmpada que pisca e representa a iminente presença maligna no breu ou mesmo a simples ideia da assombração coberta por um lençol são artimanhas capazes de gerar aflição. Apesar de não serem novidades, tais artifícios trabalhados sob a perspectiva peculiar de Sandberg ganham nova forma e convencem.

Se em Quando as Luzes se Apagam (2016) o cineasta não conseguiu se destacar com a versão estendida do curta-metragem autoral, nesta nova empreitada, ele consegue uma mistura interessante ao trazer uma assinatura em dialogo com a proposta complexa de franquia, o que significa relacionar-se também com a cinematografia de Invocação do Mal.

Franquias em conexão

É importante ter assistido ao primeiro Annabelle, assim como ter acompanhado os desafios do casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) para conseguir capturar os ‘easter eggs‘ (referencias diretas a outros títulos), assim como o sentido da cena pós-créditos. Portanto, vale dizer que esta sequência conecta-se mais intimamente aos projetos dirigidos por James Wan.

Aliás, a criatividade dos movimentos de câmera adotados em Invocação do Mal 2 também está presente nesta nova obra e oferece uma agradável experiência. Da mesma forma, os ‘laser eyes’ também marcam presença, no entanto, esse olhar brilhante do monstro no escuro poderia ser evitado, pois dá um ar kitsch e não parece ser esse o objetivo almejado.

Saldo positivo

Independente do artifício de gosto duvidoso já mencionado ou mesmo das cenas que parecem satirizar o próprio gênero, o ritmo mais lento empregado pelo cineasta enriquece o suspense e contribui para a ideia de seriedade e composição crível da atmosfera sombria. A escolha parece ainda mais eficiente para promover ótimos momentos de jump scare.

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Image,Warner Bros. Pictures

Outro acerto é a ideia de gerar tensão mesmo durante o dia, obviamente, a ação é logo transposta para um local de enclausuramento e a escuridão volta a reinar. Mesmo assim, a tentativa é válida e figura como uma boa saída para a diversificação do roteiro.

No entanto, a narrativa evita o aprofundamento de algumas personagens que parecem apenas compor a ideia de um grupo oriundo de orfanato e não detém relevância. Entretanto, isso não se configura como um defeito, apenas uma opção, menos rica do ponto de vista artístico, mas compreensível.

Do mesmo modo, algumas situações criadas são bastante comuns ao repertório cinematográfico de horror, como por exemplo, o ser humano tomado pela influência maligna com um objeto cortante em punho. Todavia, inovar e ainda respeitar os códigos do gênero, não é algo fácil e, por vezes, experimentações mais ousadas podem incorrer em resultados pouco satisfatórios.

Não há como fazer um filme nos moldes de Annabelle com um viés cult, nem mesmo evitar o uso de alguns clichês que já parecem ser parte do universo da franquia ou mesmo da gramática do terror. É importante destacar: trata-se de uma produção mainstream e, portanto, bastante atenta àquilo que o grande público deseja assistir.

Ainda assim, ‘Annabelle 2: A Criação do Mal’ tem uma assinatura de diretor, cumpre fielmente com o proposto e, possivelmente, vai agradar aos fãs de terror e até mesmo surpreender aqueles decepcionados com o primeiro título. Recomendo.

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