Cinderela: coragem, gentileza e uma pitada de magia

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Sob a direção de Kenneth Branagh, Cinderela mantém a essência de um dos mais populares contos de fadas no melhor estilo Disney. Mas ainda assim com nuances ‘realistas’ em diálogos e situações capazes de conceder maior profundidade aos personagens e complexificar suas relações, mas sem perder a proposta original do fantasioso.
Imagem/Disney

A trama segue por caminhos mais convincentes, e por vezes, parece mais interessada em conquistar o interesse dos adultos ávidos por um momento de catarse diante da história já enraizada no inconsciente coletivo; enquanto isso as crianças tendem a se divertir com os ratinhos animados e a moral ‘básica’ explicada pela voz em off (narrador).

Todavia, trata-se de um conto de fadas e alguns personagens precisam de tinta forte, algo evidenciado pelos figurinos da madrasta e suas filhas; estratégia que demarca o distanciamento visual entre elas e a ‘gata borralheira’, vivida por Lily James. Aliás, a atriz funciona perfeitamente com aquilo proposto pelo longa e tem momentos bastante convincentes.

Falar de interpretação sem mencionar Cate Blanchett é impossível, diante da árdua tarefa de dar vida a uma vilã típica de clássicos mas ainda assim contida e verossímil. A veterana lança mão de olhares capazes de despejar toda a frustração e inveja diante da juventude e beleza da amável Ella; o trabalho resulta em expressões que falam por si só.

Imagem/Disney

No melhor estilo Estúdios Disney, toda aquela magia já conhecida se traduz em efeitos visuais, trilha sonora, tempo de edição e tratamento de pós em perfeita sintonia, impossível não captar a atenção de quem quer que assista.

Toda a reconstituição do momento da preparação para o baile, assim como a irreverência da fada madrinha interpretada por Helena Bonham Carter oferecem momentos de pura descontração em equilíbrio com os acentos melodramáticos presentes neste roteiro.

A ênfase na relação de Ella com seus pais ou na do príncipe (Richard Madden) com o rei corrobora para a ideia de proximidade do ‘real’. Atual sim, todavia, não espere pela protagonista feminista nos moldes das heroínas mais recentes, ainda assim ela segue como uma personagem até possível mesmo que tomada por excesso de ingenuidade quase infantil.

Richard Madden e Lily Janmes na pele dos personagens – Imagem/Disney

Ainda assim, vale a pena se permitir e encarar Cinderella como um momento catártico, enquanto as crianças prestam divertem-se com as animações e a moral conduzida pelo narrador, os adultos podem se deparar com aspectos assustadores e até mesmo encantadores da natureza humana, como a gentileza e a coragem

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