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Mad Max: Estrada da Fúria alcança status diferenciado dos demais títulos do gênero

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Sob a competente direção de George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria exibe cenas grandiosas de explosão e combates corporais bem coreografados mas é na ousadia da experimentação, no trabalho de fotografia, na expressiva personagem de Charlize Theron e no discurso contemporâneo e consciente que o filme adquire um status diferenciado dos demais títulos do gênero ação.
Charlize Theron caracterizada como Imperatriz Furiosa e Tom Hardy na pele de Max – Imagem/Warner Bros. Pictures

Antes mesmo da exibição das imagens, o ‘roncar’ do motor dos veículos e as notícias apocalípticas em off preparam o expectador para o que está por vir. Tais experimentações seguem com o prólogo em uma espécie de apresentação frenética do personagem-título no que se configura um verdadeiro misto de alucinação e realidade escabrosa.

Tal experimento com a velocidade das imagens e diversos efeitos visuais nestes minutos iniciais trazem grande dinamismo, mas também dificultam a assimilação imediata do que é visto, especialmente, no caso do conteúdo exibido em 3D. Mas nada que desabone o longa, pelo contrário, é uma forma diferenciada e até bastante coerente com o proposto.

Com gás total, as sequências de embates em veículos velozes, com direito a tempestade de areia, explosões e brigas corporais bem executadas mantêm a cadência da narrativa. Isto em belos planos gerais do deserto da Namíbia em cores acentuadas que se estendem aos personagens centrais, um contraponto ao tom esmaecido das pinturas corporais do exército fanático do ditador ‘immortan’ Joe.

Nicholas Hout na pele do homem-bomba, Nux – Imagem/Warner Bros. Pictures

O fanatismo, o poder opressor do patriarcado, a escassez dos recursos naturais e a urgência de uma consciência global do papel em sociedade trazem à tona novas possibilidades e vozes para o discurso atual. Neste caminho, a trama adquire nuances do feminismo representadas com ênfase na figura central da Imperatriz Furiosa.

Tom Hardy na pele de Max convence e surpreende pelo timing para a comédia em momentos de pura irreverência. Mas é Charlize Theron quem se destaca, seja pela dramaticidade, pela expressão corporal ou mesmo por sua beleza explorada sob outro prisma. Aliás, a característica física ‘surpresa’ desta figura não transmite a ideia de perda mas de força e superação presente em toda a narrativa.

Com os três títulos anteriores da franquia no currículo, George Miller conhece bem o seu público e tenta preservar ao máximo a essência original, só que atento ao atual cenário de um cinema cada vez mais sensorial, ainda assim segue irreverente conforme o guitarrista que executa a trilha musical ‘ao vivo’ durante toda a batalha. Confiram Mad Max: Estrada da Fúria e vão entender o que digo.

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