Certeiro no coração, ‘O Pequeno Príncipe’ prova porque é uma das histórias mais amadas de todos os tempos

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Essencial, eis a palavra de ordem e também de conflito neste belo tributo a história que marcou gerações. Baseado na mais famosa obra de Antoine de Saint-Exupéry, o longa animado resgata toda a emoção do original, reforçada por meio de recursos melodramáticos orquestrados de forma certeira pelo diretor Mark Osborne.

Imagem: Paris Filmes

Na trama, uma simpática criança vive subordinada ao rigor do plano de tarefas e metas estabelecido pela mãe, sem qualquer espaço para brincadeiras ou amizades. Com o objetivo de garantir a vaga na conceituada Escola Werth, elas se mudam para os arredores da instituição, e na vizinhança, a menina entrará em contato com o universo do pequeno príncipe, apresentado pelo cativante aviador.

Planos gerais do espaço urbano sob perspectiva aérea retratam a cidade de forma quase matemática, padronizada; destacando assim o problema de uma sociedade cada vez mais focada em produzir e atender aquilo compreendido como imprescindível. Orientação presente, inclusive, na pressão exercida pelas instituições de ensino.

“O problema não é crescer, mas esquecer”, máximas como esta exemplificam o problema enfrentado pelos adultos na compreensão deste mundo fantástico, repleto de considerações feitas por Exupéry sobre a vida. Ao destacar passagens do clássico em stop motion, a animação também estabelece um diferencial estético das sequências exibidas no tempo presente, no qual os personagens e ambientes apresentam design próximo ao que é desenvolvido pelo estúdio Pixar.

Imagem: Paris Filmes

Porém, no que se refere a estratégia narrativa, há maior semelhança com as produções da Disney, especialmente aquelas de forte apelo emocional. “A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar”, trechos da literatura são relembrados e explorados sob a perspectiva do melodrama.

As cenas são construídas por meio de artifícios comuns ao gênero, com direito a trilha musical calculada e uma pedagogia moralizante, no entanto, as reiterações são caprichadas e até poéticas, o roteiro é conduzido da maneira mais articulada possível. Algo visível no relacionamento entre a jovem e o piloto que encarna o arquétipo do avô ideal, ou mesmo nas transformações da interação com a mãe.

Em alguns momentos, como o da viagem pelo espaço, os trechos fidedignos ao livro parecem se desconectar do principal arco da proposta atual, mas isso logo é resolvido e justificado mais a frente. Para aqueles que conhecem a publicação ou mesmo o desenho feito para televisão no final da década de 1970, a rosa, objeto de tanta adoração, figura nesta produção e oferece diversas reflexões.

Imagem: Paris Filmes

“Serás para mim o único no mundo e serei a única para ti no mundo”, outro aspecto de grande destaque é a constituição do elo entre o príncipe e a raposa, e como isso é transposto para a relação entre os personagens centrais desta nova aventura. Essencial é correr para o cinema e conferir esta bela homenagem ao ilustríssimo morador do asteroide B 612.

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