Quarteto Fantástico: dificuldade com franquia persiste, novo título revela falta de coesão e fluidez narrativa

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Sob a direção de Josh Trank, Quarteto Fantástico até funciona como apresentação dos heróis sob novo ponto de vista, porém sofre de problemas narrativos que o deixam sem foco, por vezes é enfadonho, em outros momentos é abrupto e as cenas parecem desconectadas de um todo. Sem contar os problemas de perspectiva e finalização dos efeitos visuais.
Imagem/Fox Film

Diferente dos títulos anteriores da franquia, neste novo título os personagens centrais estão na faixa dos 19 anos e são interpretados por Milles Teller, Michael B. Jordan, Kate Mara, Jamie Bell e Tobby Kebbell. O elenco cumpre o proposto, apesar das motivações do Tocha Humana serem quase infantis, isto ajuda a humanizar o papel de Reg E. Cathey, pai dele e ‘tutor’ do grupo.

Na trama, quatro jovens gênios trabalham no desenvolvimento do teletransporte capaz de realizar viagens para outra dimensão. Com base nas especulações sobre a tecnologia da velocidade da luz e os recentes desbravamento de outros planetas pela Nasa, a temática soa bastante contemporânea.

Com este mote, a narrativa também investe no desenvolvimento dos protagonistas, especialmente na relação entre Reed (Sr. Fantástico) e Ben (Coisa), mas também exibe ou deixa pistas dos conflitos vividos pelos demais. Porém, isso poderia ter sido feito ao longo de todo o filme, afinal, são mais de 40 minutos quase inertes até o evento catastrófico que irá render superpoderes a eles.

O investimento na ficção científica é um ponto positivo e até explicaria a importância do grupo. Entretanto, trata-se de uma aventura da Marvel, logo a ação esperada precisa estar presente, mas isso ocorre tardiamente e os momentos posteriores são corridos e pouco convincentes.

Mesmo com a passagem de um ano adotada pelo roteiro para resolver algumas questões, como a criação do traje especial, o relacionamento com o governo, ou mesmo a configuração dos heróis naquilo já conhecido pelo público; tudo é abrupto e de um instante para o outro, eles se reúnem e combatem o vilão.

Justiça seja feita, artisticamente o longa tem acertos, como a pausa (visual) após o evento trágico que transforma a vida dos envolvidos, o sofrimento deles ao lidar com tais poderes ou até mesmo o início simpático ambientado em 2007. Mas isso não disfarça os problemas narrativos, nem os efeitos visuais mal finalizados em umas das cenas finais.

No geral, o trabalho de computação gráfica até se esforça e consegue alguma verossimilhança, mas em determinadas sequências como o transporte via ‘campo de força’ da mulher invisível, algo fica desproporcional e as imagens até lembram as de videogame quando vistas de longe, faltou um maior tempo de estudo, cálculo de perspectiva e execução adequada para tanta ousadia.

A sensação que se tem é de um filme fatiado e produzido por equipes diferentes com o único objetivo de agradar ao público sem preocupação com a obra em si. Quarteto Fantástico funciona apenas como uma apresentação dos personagens, mas como produção cinematográfica deixa muito a desejar.

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