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(Review) ‘O Vale do Amor’ marca encontro entre dois grandes nomes e rende curiosa mistura entre realidade e ficção

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Com roteiro e direção de Guillaume Nicloux, O Vale do Amor exibe narrativa marcada por elipses, imagens do deserto da Califórnia, além de experimentações nas formas de conduzir o olhar. O drama investe na mistura entre realidade e ficção ao retratar Gérard Depardieu e Isabelle Hupert como personagens de si mesmos.

Imagem/Imovision

Após longos anos sem se ver, Gérard e Isabelle precisarão se reencontrar para atender ao último desejo do filho. Michael cometeu suicídio, mas não sem antes deixar rigorosas instruções a serem seguidas pelos pais em pleno Vale da Morte, um ambiente inóspito com temperaturas altíssimas, por volta dos 50ºc.

Na trama, os artistas adotam os próprios nomes e os aspectos pessoais passam a ser explorados de modo explícito pela ficção, tal como o diálogo travado entre Hupert e Depardieu sobre a relação dele com a bebida. Da mesma forma, o fato do ator estar acima do peso é assunto e, sem qualquer espécie de pudor, essa condição é ressaltada.

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O jeito bonachão e rústico dele se opõe a contenção de Hupert, tomada por um sentimento de culpa feroz pela morte do rebento. Neste sentido, o cineasta, com apoio do fotógrafo Christopphen Offenstein, também trabalha a tensão em sequências pontuais sob um ponto de vista que acompanha os passos dos protagonistas de costas para a câmera, uma sensação de curiosidade ou mesmo aflição pode ser provocada por esse artifício.

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Imagem/Imovision
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Imagem/Imovision

A opção pelos planos gerais do cenário desértico resulta em belas imagens, mas também colabora para a construção de uma narrativa mais estática com paisagens livres de muita movimentação, feito uma fotografia. Mesmo com a opção constante pelas elipses, ou seja, a pressuposição ou omissão de certas informações com um corte para a cena seguinte, o segundo ato tende a uma maior lentidão.

Todavia, o investimento nas pitadas de humor cheias de crítica, os enquadramentos de câmera e recortes de luz, assim como as cores vivas de objetos cênicos ou figurinos em contraponto a locação são pontos assertivos e merecem destaque. Talvez, o drama pudesse ser mais explorado e as elipses pudessem dar espaço a algumas cenas mais elucidativas, aliás, Hupert acerta no tom e concede uma credibilidade cativante para a história.

Não é novidade trazer atores para interpretarem a si mesmos, mas são dois grandes nomes do cinema francês em ação, O Vale do Amor poderia ser menos fragmentado, entretanto, é uma obra de diretor com experimentações estéticas e reflexões ricas sobre a vida humana, esta permeada por medos, ressentimentos, culpas e perdas, mas com a perspectiva do amor como a maior certeza.

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