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‘Resident Evil 6: O Capítulo Final’ exibe ritmo frenético em desfecho sem cara de adeus

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Sob a direção de Paul W. S. Anderson, Milla Jovovich encarna pela sexta vez Alice em Resident Evil, mas agora com o objetivo de marcar o desfecho de uma saga, trazendo à luz algumas respostas sobre a corporação Umbrella e o passado da personagem. O ritmo frenético dá o tom arrojado da narrativa, todavia, a montagem, o próprio uso excessivo da  velocidade e a escuridão demasiada deixam, por vezes, a ação em si pouco visível.

Para evitar a morte de cerca de 4000 humanos restantes da civilização mundial, a experiente heroína precisará confiar numa improvável parceria, neste percurso, enfrentará grandes percalços e irá se deparar com algumas figuras marcantes da história da franquia.

O longa segue o formato habitual, com a recapitulação de momentos passados e também indicação do plot a ser desenvolvido no decorrer da narrativa cinematográfica, esta caracterizada por uma fotografia bastante similar a do terceiro título, no qual os tons quentes preponderam em cenários desérticos.

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Imagem/Sony Pictures

A opção pelo ritmo intenso das sequências de embate, principalmente, no primeiro ato podem remeter a estratégia utilizada por George Miller em Mad Max, tal escolha, inclusive, suscita um questionamento sobre a incorporação de elementos de diferentes heroínas do cinema à composição da personagem central.

Se no título de 2012 era possível associar a situação e comportamento de Alice aquilo vivido pela tenente Ripley em Aliens, O Resgate (1986), nesta nova produção, ela corre o risco de lembrar a imperatriz Furiosa. Mas independente desse composto, ainda é possível enxergar a figura emblemática da exterminadora de zumbis.

Excessos, games e desfecho

O excesso de velocidade e a montagem das cenas acabam por dificultar a visibilidade da ação em determinados momentos, a predileção pela escuridão excessiva a partir de um ponto específico da da aventura até dialoga com a proposta do survival horror, um subgênero típico dos games no qual a ideia é surpreender e provocar alguns sustos, inclusive, algo usual nos primeiros jogos eletrônicos da franquia.

Neste sentido, o filme se aproxima ainda mais da linguagem de game, inclusive na forma de narrar, e, portanto, resvala na corriqueira problemática do roteiro pouco consistente. No entanto, o longa até providencia uma conclusão coerente com toda a trajetória da protagonista neste 15 anos, pode ser que alguns fãs sintam falta de outras explicações, mas ainda assim Paul Anderson cumpre com a ideia de um desfecho.

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Imagem/Sony Pictures

Resident Evil : O capítulo Final passa por temáticas contemporâneas como o aquecimento global, a preocupação dos problemas enfrentados pela superpopulação mundial, porém, de modo superficial. Nesta seara, ainda trabalha com a questão perigosa do fanatismo religioso, sim, o filme é distópico e tende a conversar, conforme já mencionado, com Mad Max, uma referencia nesta linha cinematográfica.

Mas ainda assim, Milla Jovovich segue com o carisma que lhe é peculiar e mesmo na casa dos 40 anos demonstra ainda ter muita lenha para queimar. Ação, pitadas de humor negro, muitos zumbis mutantes e uma heroína imbatível, agora diante de uma verdade incontestável. Lance mão de um belo balde de pipoca e confira o aguardado episódio final sem cara de adeus.

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