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‘As boas maneiras’: conto de fadas sombrio com forte teor social

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Sob a direção de Marco Dutra e Juliana Rojas, o filme ‘As Boas Maneiras’ investe no universo do fantástico e bebe na fonte do horror, mas flerta com o humor e até mesmo com o gênero musical. Estrelada por Isabél Zuáa e Marjorie Estiano, a narrativa apresenta forte teor social e um ritmo próprio, este, por vezes, pouco fluído.

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Imagem/Imovision

Na trama, Ana (Marjorie Estiano) contrata Clara (Isabél Zuáa) para ajudá-la durante a gestação do primeiro filho. Todavia, essa futura mãe começa a apresentar um comportamento fora do normal e uma história sobrenatural se desenvolve, especialmente, quando o longa evidencia a natureza do pai.

Ao adotar um tempo mais literário em determinadas cenas, nas quais propõe uma pausa maior para a reflexão é possível perceber a linguagem empregada pelos diretores. Da mesma forma, o roteiro opta por um ritmo lento para desenvolver a ideia central, mas perde parte do gás ao trilhar por um percurso no qual abre mão de uma das atrizes principais.

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Imagem/Imovision

Durante o trajeto, a obra exibe cenas típicas do horror, mas passa pelo drama, erotismo, humor, e, inclusive, culmina em sequências no estilo musical, nas quais as personagens narram as situações por meio de canções. Aliás, a musicalidade é um componente forte da comédia ‘Sinfonia da Necrópole’ (2014), trabalho anterior de Juliana Rojas.

Não há problemas em adotar diferentes artifícios para contar uma história, todavia, a ‘miscelânea melódica’ neste novo título parece se contrapor ao início marcado por uma estranheza, mais alinhada com a proposta de um suspense.

Conto de fadas

Com críticas sociais e toques de humor negro bem empregados, a obra opta mesmo por uma roupagem de conto de fadas sombrio. Nesta linha, a própria computação gráfica utilizada dialoga com um universo mais lúdico e não parece ter tanto compromisso com a ideia de provocar pavor, algo tão almejado pelos tradicionais títulos do horror.

Imagem/Imovision

Mesmo assim, são perceptíveis as referências visuais a ‘Um Lobisomem Americano em Londres’, filme de 1981. Aliás, o desempenho das equipes de maquiagem e arte merece destaque e nesta linha, o jovem ator Miguel Lobo também é bem aproveitado e assume papel importante. Porém, este universo infantil não captura tanto a atenção se comparado ao microcosmo da figura materna em si.

O longa ‘As Boas Maneiras’ apresenta momentos cativantes e um argumento marcado por críticas sociais bem embasadas. Mas ao sair da caixinha e não se segmentar, também tenta dar conta de muitas questões em uma só produção, ainda assim, é preciso lembrar que investir em cinema de gênero no Brasil é um verdadeiro desafio e requer coragem. Que venham outras novas propostas!

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