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‘Ferrugem’: privacidade violada, bullying e tragédia marcam trama

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Sob a direção de Aly Muritiba, ‘ Ferrugem ‘ propõe uma reflexão sobre a exposição da intimidade na web e as consequências tortuosas disso, no caso, diante do machismo e misoginia, aspectos ainda marcantes, inclusive, no âmago desta nova geração. Quanto à forma, são exibidos planos criativos de cena, usos engenhosos do som e composição inteligente do cenário.

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Imagem/Olhar Distribuição

Na trama, Tati (Tifanny Dopke) tem um vídeo particular exposto no grupo de whatsapp da turma do colégio, o material de cunho sexual se espalha pela internet. Por conta desse conteúdo, ela passa a sofrer bullying no colégio, além de lidar com os diversos comentários nas redes sociais online, tal pressão funciona como o estopim de uma situação trágica.

A forma de ‘Ferrugem’

Dividido em duas partes, o longa tem início em um vasto aquário de visitação pública, lugar no qual a vítima já demonstra o apreço pelos registros fotográficos, inclusive, pelas selfies. Neste primeiro momento, também fica evidente a relevância dada ao som.

Nesta linha, os efeitos sonoros são capazes de remeter a sensações, tais como aquela sentida durante um mergulho no mar ou mesmo no diálogo abafado que se ouve de outro local, neste segundo aspecto, o áudio ajuda o observador/público a se localizar dentro da narrativa já que a câmera funciona como o olhar do espectador.

Juntamente com a direção de arte, Aly Muritiba constitui de modo verossímil a atmosfera escolar, o banheiro pichado é um exemplo disso. Os termos pejorativos ali escritos compõem a cena e reiteram os prováveis xingamentos a serem ouvidos pela jovem. O longa também destaca a situação no ciberespaço, algo demonstrado pelos comentários de cunho machista, permeados por memes.

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Imagem/Olhar Distribuição

Ambientada na praia, a segunda parte rende belas imagens. Responsável pela fotografia, Rui Poças atua tanto no embelezamento das paisagens e personagens quanto nos enquadramentos criativos. Por exemplo, dentro do carro, os personagens de Enrique Diaz e Clarissa Kiste conversam, todavia, o ponto de vista parte do banco traseiro do veículo, dispensando o ‘plano e contra plano’. Dessa forma, o diálogo cresce e a linguagem corporal ganha espaço para compor a mensagem.

No que se refere à atuação, os atores veteranos e Giovanni de Lorenzi dão conta do recado, porém, a entonação adotada em alguns diálogos entre os jovens, por vezes, soa pouco natural. Ainda assim, os artistas se enquadram perfeitamente aos perfis propostos e dão vida à personagens verossímeis.

Mesmo com um desfecho econômico, ‘Ferrugem’ investe em forma diferenciada e acerta ao retratar o tema com responsabilidade e seriedade. Além disso, ressalta a existência de um comportamento arcaico, preconceituoso e corrosivo na sociedade, inclusive, no cerne da nova geração.

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