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‘Alfa’ exibe montagem diferenciada e temática cativante

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Sob a direção de Albert Huges, ‘Alfa’ exibe ricos movimentos de câmera e uma montagem diferenciada, mas opta por um olhar mais contemplativo, pontuado por algumas sequências de maior impacto físico. A temática é cativante e detém beleza fotográfica, porém, uma cena ou outra destoa e parece menos realista ao se tornar evidente a filmagem em estúdio e o uso da computação gráfica.

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Imagem/Sony Pictures – Kodi Smit-McPhee na pele de Keda ao lado de Alfa

Ambientado no último período da Era do Gelo, o filme narra a trajetória do jovem Keda (Kodi Smith-McPhee). Durante uma caçada por alimentos com o pai e demais integrantes da comunidade, o protagonista se depara com um imprevisto violento e na amizade com um lobo, ele irá descobrir uma força interior que o ajudará a enfrentar os maiores desafios.

O filme expressa um rito de passagem da personagem central e associa isso a figura do lobo, como o líder em uma alcateia, na qual precisa se impor e lutar pela sobrevivência. Todavia, a força sem o ‘coração’ não é o suficiente para vencer os percalços da vida e evoluir, nisto se dá a construção de uma bela amizade entre Keda e Alfa, vínculo que seria um marco na história da civilização.

Kodi Smit McPhee
Imagem/Sony Pictures
A forma de Alfa

Ao fazer um flashback no momento crucial que desencadeia a épica aventura vivida pelo protagonista, o roteiro dá maior movimento ao longa de linguagem narrativa mais contemplativa, por vezes, monocorde. Todavia, pontuada por momentos de ação intensa e belas transições de imagem, como aquela em que a perspectiva sobe em direção às estrelas e em declínio se transpõe em suave espiral na direção dos pais de Keda que conversam sobre o futuro do jovem.

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Keda (Kodi Smit-McPhee) com o pais, vividos pelos atores Jóhannes Haukur Jóhannesson e Natassia Malthe – Imagem Sony Pictures

Apesar do diretor ter o poder sobre a obra num contexto geral, a montagem assinada por Sandra Granovsky merece destaque, a profissional traz um certo dinamismo e marca a linguagem estética do longa. Mas a variedade dos  planos de câmera também fornece um material precioso, com enquadramentos em plongée (visão de cima para baixo) e contra plongée (olhar de baixo para cima) ou mesmo na composição caprichada de quadro bem feito em plano geral.

Todavia, em algumas cenas ficava perceptível a filmagem realizada em estúdio, complementada pelas imagens geradas em computador, o CGI. É compreensível a inviabilidade das filmagens em determinados ambientes, assim como a necessidade do uso do artifício para recriar animais extintos ou mesmo no simples ato de encantar os olhos com paisagens estonteantes. No entanto, sequências pontuais soam dispares de um todo caprichado.

Apesar de exibir algumas mensagens bastante comuns ao gênero dentro da perspectiva de uma pedagogia moralizante, ‘Alfa’ narra uma história cativante e a associação com a figura do lobo não serve apenas como uma interessante analogia ou mesmo fábula. Ela empolga e comove por demonstrar a preciosa relação entre o homem e o que seria o prenúncio do ‘melhor amigo’ dele.

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