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‘Meu Querido Filho’: narrativa peculiar de cores realistas

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Escrito e dirigido por Mohamed Ben Attia, ‘Meu Querido Filho’ retrata o cotidiano de uma família tunisiana e a partir dos acontecimentos desse microcosmo, lança um olhar, inclusive, sobre o jihadismo. Para tal, investe em uma narrativa peculiar que demanda maior atenção do espectador.

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Imagem/Pandora Filmes

Riadh é um operador de máquinas prestes a se aposentar. Ele e a esposa, Nazli, mantêm as atenções voltadas para o único filho, Sami. O jovem sofre de rotineiras crises de enxaqueca, enquanto se prepara para os exames do ensino médio. Mas quando tudo parece ter melhorado,  Sami desaparece.

Característica narrativa

Apesar da presença materna e das lágrimas que ela verte em determinados momentos, a ênfase se dá na relação entre pai e filho. De um modo geral, o expectador é guiado pelo olhar paterno,  uma figura super protetora e apaixonada pela cria.

“Meu filho é minha vida’, afirma Riadh em uma das cenas.

A despeito de algumas falas mais dramáticas, o diretor não se utiliza dos recursos usuais do melodrama, por exemplo. Inclusive, as sequências que poderiam provocar lágrimas são trabalhadas de maneira um tanto econômica e tendem a seguir por um outro caminho.

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Imagem/Pandora Filmes

Já as cenas típicas do cotidiano são mais exploradas, talvez, com o objetivo de trazer uma atmosfera realista à obra. A forma escolhida pelo diretor ainda exibe uma predileção pelo uso das elipses e determinadas informações são tidas como dispensáveis, presumidas ou reveladas mais à frente no contexto. Uma opção instigante, mas que em excesso dificulta uma compreensão detalhada.

Meu querido filho: indivíduo, sociedade e extremismo

Sob a visão de Mohamed Ben Attia, algumas ideias firmadas pelo senso comum são questionadas, especialmente, no que se refere às relações de parentesco e às necessidades individuais. A própria máxima do amor incondicional e altruísta dos pais é colocada em discussão.

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Imagem/Pandora Filmes

Nesta seara, o patriarca vivido pelo ator Mohamed Driff detém destaque. Na busca pelo filho, ele irá se deparar com as próprias fragilidades, frustrações e mágoas. Isso, em meio ao discurso do povo contra o terrorismo e das falhas sociais que estimulam o crescimento do número de extremistas.

Mesmo com as reflexões sobre os jihadistas (grupo fundamentalista e violento) e o conjunto de fatores que instigam um cenário de guerra civil, o cineasta não se aprofunda em tais questões de modo a explicá-las claramente. Até porque essa não é a linguagem ou mesmo a proposta da obra.

Contudo, ‘Meu Querido Filho’ lança um olhar sobre as relações familiares, os rumos da sociedade e acerta ao exibir conexão entre um microcosmo e uma problemática de escala global. Enquanto narrativa cinematográfica, opta por uma maneira peculiar para contar essa história de cores realistas.

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