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A Maldição da Chorona inova com lenda mexicana, mas não alça grande voo

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Sob a direção de Michael Chaves, A Maldição da Chorona exibe diferencial ao trazer para o universo da franquia Invocação do Mal, um monstro da cultura mexicana. Todavia, o roteiro não investe no aprofundamento dramático, além de seguir um trajeto mais previsível. Ainda assim, a atriz Linda Carvelinni demonstra talento e desenvoltura, mesmo com um texto limitado.

Imagem/Warner Bros. Pictures

O filme tem início em 1673, mas logo segue para os anos de 1973 e Los Angeles é o cenário da história. Na trama, Linda Cardellini vive Anna, uma assistente social, viúva e mãe de Samantha (Jaynne Lynne Kinchen) e Chris (Roman Christou). Após a morte de duas crianças, no caso em que trabalhava, uma figura monstruosa passa a perseguir os filhos dela.

Em cena: olhar cultural multifacetado

A ideia de trazer uma lenda assustadora típica do México, assim como o misticismo existente no país, para uma produção do universo de Invocação do Mal é uma tentativa de diversificação que merece respeito. O longa também exibe uma espécie de conexão com Annabelle, produção que já detém um terceiro título com data de estreia prevista para junho deste ano.

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Linda Carvelinni também deve receber crédito pela seriedade exibida, ela consegue se manter convincente e não resvala para o ridículo. Mas mesmo com todo o esforço da atriz, o roteiro soa pouco consistente, previsível e, por vezes, mais parece uma sucessão de oportunidades para as cenas de jump scare, inclusive, algumas delas até bem estimulantes.

Identidade e aprofundamento

Trazer diferencial para o gênero do horror é algo difícil e o roteiro de Mikki Daughtry e Tobias Iaconis acerta ao explorar aspectos da cultura mexicana. Mas, enquanto narrativa cinematográfica, exibe mais do mesmo e perde a chance, por exemplo, de desenvolver o drama e conflitos da protagonista.

Em contrapartida, há o investimento no senso de humor, que pode até soar inadequado para alguns, mas ainda assim é um alivio cômico eficaz na quebra do clima de tensão. Por outro lado, o lugar comum aliado ao ritmo adotado e a previsibilidade não favorecem o engajamento.

Apesar da irreverência, a condução de Michael Chaves parece buscar inspiração nos filmes de horror dirigidos por James Wan, mas sem a obtenção do mesmo resultado. A Maldição da Chorona não exibe uma identidade forte com cenas memoráveis ou sustos colossais, mas pode até entreter.

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