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Mestres do Universo: no embate entre o bem e o mal, a nostalgia é campeã

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Sob a direção de Travis Knight, o reboot de “Mestres do Universo” exibe um belo equilíbrio entre o discurso contemporâneo e a narrativa do herói consolidada nos anos de 1980. Logo, uma escolha astuta empenhada em gerar momentos de pura nostalgia.

Além disso, as cenas de embate físico são bem coreografadas e estilizadas em sintonia com o contexto. Em contrapartida, por vezes, as imagens geradas por computação gráfica demonstram fragilidade.

Na trama, Adam é um funcionário do setor de RH e adota uma postura empática. Ele está sempre disposto a resolver os conflitos através do diálogo.

Mas a memória do planeta natal “Eternia” impulsiona o jovem em direção a um propósito maior daquele imaginado pela maioria dos humanos.

Portanto, ao erguer a espada mágica de Grayskull, a história seguirá por um caminho extraordinário, típico de contos de fadas.

Sejam bem-vindas, lembranças da infância

Apesar da popularidade dos jovens atores Nicholas Galitzine e Camila Mendes, respectivamente “He-Man” e “Teela”, a obra investe em um conteúdo voltado para o público mais maduro. Aliás, os roteiristas conseguiram alinhar um discurso contemporâneo como o da empatia, por exemplo, ao mundo desse herói, sem descaracterizá-lo. Logo, a transposição da maior parte da ação física para o planeta alienígena também foi feita de forma eficiente.

Contudo, há uma pequena quebra da fluidez rítmica do segundo para o terceiro ato, mas nada comprometedor. Porém, existe uma vulnerabilidade relacionada às imagens geradas por computação gráfica em situações pontuais. Assim sendo, há uma sensação de falta de profundidade em determinadas ocasiões e o ambiente flat de um estúdio em chroma key fica mais pronunciado.

Entretanto, são exibidas sequências impecáveis como a transformação do príncipe Adam no guerreiro fantástico, ponto alto mais aguardado por quem conhece o enredo. Vale destacar, a forte influência do filme e desenho animado dos anos de 1980. Mas ainda assim, o longa-metragem parece beber na fonte da série animada homônima lançada pela Netflix em 2021.

Outra situação marcante é o reencontro do personagem central com a figura paterna, ou seja, o fim e o inicio de uma nova Era. Consequentemente, temos uma espécie de representação da passagem definitiva da infância para a fase adulta. Nesse sentido, funciona como uma espécie de diálogo com a criança interior do espectador.

Em contrapartida, não há interesse em humanizar o vilão, dessa maneira, o “Esqueleto” é uma miscelânea de pura maldade e alívio cômico. Portanto, funciona perfeitamente dentro do contexto, é tudo aquilo esperado de tal criatura, sem mais nem menos.

Por fim, o reboot de “Mestres do Universo” é uma atualização da franquia, mas sem a perda da essência. É o tipo de entretenimento que diverte, comove e deixa os fãs arrepiados. Vale a pena conferir, recomendo! No mais, existem cenas pós-créditos e compensa esperar por elas.

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