Frankenstein: narrativa pouco eficiente, mas com efeitos visuais competentes

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 Dirigido por Stuart Beauttie, Frankenstein: Entre Anjos e Demônios investe em efeitos visuais competentes e conta com o experiente Aaron Eckhart no papel título. No entanto, a narrativa resvala em um roteiro previsível ao tentar transformar Frankenstein em um herói ao estilo Marvel, por meio de uma sucessão de mesmices do gênero.
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Imagem/PlayArte Pictures
 O longa desenvolve-se de uma forma rápida para apresentar o personagem principal e dar conta de sua proposta: ação. Assim o que poderia ser constituído de uma forma mais realista, transforma-se em uma batalha, onde a criatura logo é atacada por demônios, sendo inserida em um contexto de disputa entre as forças do bem e do mal da maneira mais abrupta possível.
 Em meio a essa guerra, Frankenstein assume um perfil ambíguo, sendo tanto uma ameaça para os gárgulas, representantes do poder divino quanto para as figuras demoníacas que têm interesse na sua origem. 
 Mas Stuart Beauttie que também assina roteiro mantém coerência ao inserir o personagem central em um cenário gótico, com direito a cenas de ação em uma grande catedral, em um teatro antigo, ou mesmo em becos sombrios. Se o diretor acerta ao contextualizar este universo, o mesmo não acontece ao tentar fazer de Frankenstein um herói a caminho da redenção. 
 Talvez pela própria impressão já construída em torno do mito, ou pela forma como desenvolve a narrativa em uma sucessão de clichês, seja pelo vilão óbvio na figura do príncipe Naberius (Bill Nighy), pela força e resistência surreais de Frankenstein, ou pelo encantamento típico com a moça indefesa, neste caso, a bela cientista Terra interpretada por Yvonne Strahovski.
                                                                     Imagem/PlayArte Pictures
 Desta forma, Aaron Eckhart não tem muito com o que trabalhar, ainda assim ele mantém o tom sério e a expressão corporal que o personagem exige. No mais, basta estar em forma para tirar a camisa perto da mocinha e ter fôlego e disposição para enfrentar as sequências de ação.
 São justamente as cenas de luta aliadas aos efeitos visuais que resultam em um acerto. Desde a transposição eficiente e realista dos gárgulas em figuras quase humanas, passando pelas labaredas de fogo, até o grande desfecho, tudo arquitetado para prender a atenção do espectador, assim como a trilha sonora que compõem o ambiente e mantém a sensação de algo grandioso. 
 Mas não esperem por um filme sobre Frankenstein, a criatura está mais para um herói caçador de demônios que para o personagem clássico.

  

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