De vilão a herói: Godzilla ‘foge’ do lugar comum e impressiona por sofisticação técnica

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Sob a direção de Gareth Edwards e roteiro de Max Borenstein, Godzilla exibe uma trama palatável para aqueles que buscam algo além da disputa simplória entre bem e mal. Mas é inegável que os cuidados e ousadias técnicas também são grandes responsáveis pelo sucesso desta merecida homenagem ao monstro que marcou gerações.
 
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Imagem/Warner Bros. Pictures
Engana-se quem imagina que o famoso monstro do imaginário japonês surge do nada para devastar a civilização. A trama tem início com um abalo sísmico que destrói uma usina nuclear no Japão, o fenômeno é provocado por uma espécie de parasita jurássico encasulado. 

O nascimento dessa criatura causa um grande desequilíbrio e somente uma espécie maior na cadeia alimentar poderá combatê-lo, argumento que evita assim o maniqueísmo mesmo na figura dos monstros. Mas um dos pontos fortes do roteiro é a atenção dada a construção dos personagens ‘humanos’ e suas histórias de vida associadas a estes abalos, um diferencial que por vezes bebe na rica fonte do melodrama.
 
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Joe encontra foto antiga da família reunida
Imagem-Warner Bros. Pictures

Tal acento melodramático é algo comum a filmes de cunho apocalíptico, e em Godzilla isso fica mais evidente quando são utilizados recursos como: os ganchos de memória afetiva, a imagem do personagem lacrimoso refletida em algo ou até mesmo a ênfase dada ao olhar marejado.

São sequências marcadas por atuações breves mas corretas como as protagonizadas por Juliette Binoche e Brian Cranston, ele que apesar da caracterização inadequada tem momentos ótimos

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Sandra (Julitte Binoche) em cena trágica com o marido Joe (Brian Cranston)
Imagem/Warner Bros. Pictures

Algo que não acontece com a atuação de Aaron Taylor-Johnson, muito bem fotografado, mas um tanto que perdido neste papel. Parece que o ator não encontrou um ponto de equilíbrio entre a contenção de um profissional acostumado ao embates militares e a emoção de um homem que enfrenta trágicas perdas familiares, ou seja, passou boa parte do filme contido demais.

São essas personagens e histórias que provocam um maior envolvimento do espectador com a trama, preparando assim o terreno para cenas de embate bem produzidas e dirigidas. Neste sentido, o filme é tecnicamente correto e até ousado, seja pela trilha musical orquestrada de forma harmônica sem quebras abruptas, pelo trabalho com diferentes pontos de vista de câmera, seja pela edição e pós-produção afinadíssimas. Com ressalva para o uso do efeito 3D que, por vezes, não acompanha o nível de maestria do conjunto da obra.

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Cena de embate com o Muto – Imagem Warner Bros. Pictures
Mas ainda assim, cenas como a do salto de paraquedas em meio a cidade destruída são irretocáveis, de uma técnica e beleza plástica incomensuráveis. Um cuidado de pós-produção que também pode ser reconhecido no esforço competente de tornar crível a figura de seres bizarros, em especial a de Godzilla.

Gareth Edwards realiza um belo trabalho, mas também deve os louros do sucesso a uma equipe altamente capacitada. Godzilla é uma memorável homenagem a um dos nomes que já tem presença garantida na galeria de monstros inesquecíveis do cinema.
 

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