Homem Irracional: trama marcada pelo humor negro

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Estrelado por Joaquim Phoenix, Homem Irracional (Irrational Man) investe em uma questão bastante pertinente a espécie humana, o sentido da vida. Com a assinatura que lhe é peculiar, Woody Allen retrata o cotidiano sob a ótica do humor negro, mas se os diálogos fluem de forma natural em obras anteriores como Match Point, neste novo título alguns momentos soam um tanto pernósticos.

Divulgação/Imagem Filmes

Na trama, o ator porto riquenho vive um professor de filosofia tomado por grande desânimo, mas isso mudará com a descoberta de um novo motivo para viver. Durante o percurso, ele vai se envolver com uma colega de trabalho interpretada por Parker Poser mas é por meio do encontro com a figura de Emma Stone que a história vai tomar novos rumos.

Para quem imagina uma comédia romântica, o filme vi além disso e exibe uma assustadora realidade de cores cômicas. Desprovido do apelo visual de outrora, Phoenix exibe uma barriga saliente e cativa a atenção pelo ar misterioso e pela inteligência presente no discurso dele, tanto na sala de aula quanto no dia a dia.

Abe (Joaquim Phoenix) e Rita (Parker Posey) – Divulgação/Imagem Filmes

Mas se há um acerto nesta combinação, Woody Allen exagera nas referências a Kant e isso resulta no discurso um tanto hermético, muito diferente do texto de Match Point repleto de falas ácidas e perspicazes, porém utilizadas da forma mais natural possível. Ainda assim é perceptível algo deste trabalho em Homem Irracional, porém sob a roupagem da comédia e sem o mesmo brilhantismo.

Se no longa de 2005 as cenas não se arrastavam, aqui o ritmo não é tão fluido assim e algumas sequências parecem repetitivas. De qualquer forma, as discussões são válidas e a reviravolta resulta em um inesperado desfecho, a prova de que a prática pode ser bem diferente da teoria, aliás, como muitas situações na vida.

Jill (Emma Stone) se diverte com o ‘admirado’ professor Divulgação/Imagem Filmes

Não é tão comercial como Para Roma com Amor (2012), nem é tão próximo de obras mais cultuadas como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), mas pode agradar aos fãs do diretor, já que ele mantém a assinatura e retrata um cotidiano marcado por falas espirituosas e situações risíveis porém sem abandonar as tiradas críticas.

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