‘Sicario: Terra de Ninguém’ acerta tanto na forma quanto no conteúdo e propõe ação mais realista

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Sob a direção de Dennis Villeneuve, ‘Sicario: Terra de Ninguém’ acerta tanto nas experimentações estéticas quanto no conteúdo exibido, o roteiro de Taylor Sheridan é convincente ao revelar a perversa sistemática do tráfico de drogas e as medidas nada ortodoxas adotadas para controlá-lo. Protagonista, Emily Blunt demonstra ótimo desempenho e colabora para o tom realista do filme.

Marcada pelas agressões físicas e morais – Imagem/Paris Filmes

Na trama, Kate Macer é uma agente do FBI responsável pela recuperação de vítimas de sequestro, após a explosão de uma bomba, ela aceita participar de uma missão contra os responsáveis pelo ocorrido, no caso, o chefe do tráfico de drogas mexicano.

Sem a real noção do plano traçado pela CIA, a personagem central seguirá em um trajeto que tem como parada inicial a cidade de Juárez no México. Acompanhada por Alejandro e Matt Graver, respectivamente, interpretados por Benicio Del Toro e Josh Brolin, ela perceberá que tudo está em desacordo com os tramites legais.

Benicio Del Toro em uma das cenas de ação – Imagem/Paris Filmes

O roteiro escrito por Taylor Sheridan é coerente e parece muito bem informado acerca da situação no México, assim como dos procedimentos policiais e problemas sociais retratados, de tal modo que o universo ficcional apresentado detém proximidade absurda com as notícias publicadas sobre o crime organizado.

Sequências de tensão, vida de civis colocadas em risco, a lei não tem chance e as estratégias dos policiais se assemelham cada vez mais com a dos criminosos. Em meio a ação, os aspectos plásticos, assinados pelo diretor de fotografia Roger Deakins, também ganham importância.

Destaque para as imagens aéreas apresentadas durante a viagem de avião, na qual a sombra do veiculo se projeta sobre a paisagem, e também para a gravação em infravermelho durante a noite. Adotado em títulos de guerra, como A Hora Mais Escura (2012), este recurso agrega valor estético e também proporciona maior tensão.

Ao fundo, Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro – Imagem/Paris filmes

Outro aspecto marcante é o trabalho de Villeneuve com planos detalhes, o que também dialoga com o roteiro e ressalta as pistas e evidências deixadas ao longo da história. Imersa neste ambiente, Emily Blunt consegue o tom adequado para a atuação e representa um olhar idealista e até destemido, porém, destroçado diante da verdade atroz.

Será que existe espaço para heroísmos? Seria ela capaz de mudar todo o sistema como em um típico longa ‘testosterona’, no qual o protagonista explode tudo e ‘parece’ resolver o problema? ‘Sicario: Terra de Ninguém’ vai além e exibe uma trama complexa, bastante coerente com a realidade e por isso mesmo tão desoladora. Vale a pena assistir ao filme, recomendo.

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