(Review) Conteúdo e forma em sintonia, Deadpool transborda irreverência em produção bem-sucedida

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Fazer piada de si mesmo pode ser um ótimo remédio, Deadpool alia tal pensamento a um roteiro coerente, marcado por sequências de ação criativas, além dos esforços de uma edição dinâmica e competente. Em diálogos divertidos e repletos de acidez, Ryan Reynolds convence como o famoso anti-herói das HQs, estabelecendo assim um forte contraponto às figuras heroicas convencionais.

Logo de início, o filme demonstra todo o senso de humor nos créditos ao fazer referências aos estereótipos que serão apresentados ao longo da aventura, como a “adolescente instável”, a “gostosa”, o “vilão inglês” e isso, por vezes, se estende aos próprios profissionais e a trajetória deles no showbiz, nem o ator principal escapa da ‘brincadeira’.

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Imagem/Fox Films

Antes mesmo de se converter na figura mascarada, Wade já exibe uma peculiar comicidade e um modo de agir bastante controverso, no entanto, certos aspectos da personalidade e vida dele são construídos de modo a cativar o público, como o romance vivido com Vanessa, interpretada pela atriz brasileira Morena Baccarin, ou mesmo a descoberta da doença, o estopim das mudanças.

O roteiro tem a árdua tarefa de introduzir esta história, sem deixar de lado as sequências repletas de ação. Portanto, cerca de uma hora da exibição é destinada a esta função essencial, ainda assim os roteiristas encontram o equilíbrio necessário. Aliado a isso, há uma edição bem-amarrada e enérgica, ótimos efeitos visuais e o trabalho de Tim Miller em uma feliz estreia na direção de um longa-metragem.

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Vanessa (Morena Baccarin) e Wade (Ryan Reynolds)- Imagem/Fox Films
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Brianna Hildebrand vive Negasonic Teenage – Imagem/Fox Films

Franco e ciente dos limites do gênero, a produção ousa e quebra com a quarta parede da ficção e o protagonista dirige o olhar e a fala para a câmera em determinados momentos. Além disso, a participação do Colossus (um dos X-Men), um tanto gigantesco, funciona como a voz da razão frente ao comportamento destemperado de Wade, o que gera embates espirituosos.

Deadpool consegue adaptar para o cinema mainstream um dos “super-heróis” mais polêmicos das HQs, a equipe encontrou um tom capaz de diferenciá-lo dos demais integrantes do mundo Marvel e ainda assim deixá-lo afável o suficiente aos olhos do grande público; além disso, algumas ousadias no discurso o deixaram com um ar mais contemporâneo. Em suma, conteúdo e forma seguem em harmonia nesta proposta de entretenimento. Recomendo!   

Obs.: Não saia antes do término dos créditos, você não vai se arrepender.

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