‘Toc’ reúne humor, drama e ousadias visuais

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Estrelado por Tatá Werneck, Toc: Transtornada Obsessiva Compulsiva reúne drama, comédia e efeitos visuais diferenciados. Com roteiro e direção de Paulinho Caruso e Teodoro Poppovic, o filme não se aprofunda na questão do transtorno, todavia, trata o assunto com respeito e faz humor a partir das situações vividas pela protagonista.

Foto: Fabio Braga/Divulgação: Bionica Filmes

Na trama, Kika (Tatá Werneck) é uma atriz em ascensão que tenta lidar com as pressões do trabalho e com o namorado viciado em sexo. Junta-se a isso o Toc, o assédio constante de um fã e o sentimento de frustração vivido pela estrela. Em meio a isso, ela irá encontrar apoio em uma figura inesperada.

Por mais triste que a história pareça, o bom humor está presente em grande parte da narrativa, quanto à forma, o destaque vai para as inserções de imagens, ‘estilo’ videoclipe, além de ser uma ousadia visual, o artifício dialoga com o próprio problema do Toc, um conflito interno no qual o indivíduo é abarrotado por uma sucessão de pensamentos, muitos deles negativos. Deste modo, o título se diferencia das típicas produções nacionais do gênero.

Mais do que engraçado, o filme surge como uma grata oportunidade para Tatá Werneck exercitar algo além da comicidade nonsense, diga-se de passagem, a atriz sabe fazer rir como poucos. Outro aspecto interessante é o discurso empregado, mais contemporâneo e longe das típicas piadas que tendem a estigmatizar minorias.

Apesar do transtorno ser uma linha condutora da personagem, os roteiristas optaram por deixar tal aspecto como um dentre tantos outros traços característicos dela, e por mais que o tema seja abordado com respeito, não é tratado com a consistência de uma produção como Melhor é Impossível, por exemplo.

Estrelada por Jack Nicholson, a trama dos anos de 1997 trata justamente do transtorno e tal associação se dá também por conta de um comportamento bem similar entre as personagens de Tatá e do veterano de Hollywood, mas se o papel dele soa ríspido e intragável à primeira vista, o dela já é afável e cativante desde o início.

Sonhos geeks e boas doses de comicidade

A ideia de um universo onírico criado para a protagonista revela um ponto positivo do roteiro e uma ótima oportunidade para a humorista colocar em prática o lado geek, apaixonado pelas aventuras de super-herói, além de render espaço para algumas situações cômicas.

Neste sentido, os diálogos travados com Daniel Furlan são divertidos e funcionam como uma maneira de fazer piada um do outro, além de conversarem com as críticas presentes na vida dos atores, como no momento em que o rapaz faz pouco caso do trabalho dela, pois ele não acredita que comédia possa ser considerado sinônimo de qualidade cinematográfica.

Foto: Fabio Braga/Divulgação: Bionica Filmes

Destaque para Luis Lobianco pela ótima composição e verosimilhança da personagem, mesmo nas situações mais bizarras ele consegue um tom convincente. Da mesma forma, Furlan parece muito confortável na pele de Vladimir.

Todavia, alguns personagens compulsivos tendem ao estereótipo como é o caso do Caio, o astro mulherengo interpretado por Bruno Gagliasso, o problema não é a atuação, mas a dificuldade em trabalhar com poucos elementos, a tinta forte acaba sendo a opção. Aliás, uma escolha plausível com o gênero, mas também reveladora da pouca consistência relacionada a temática que dá nome ao longa.

O roteiro dinâmico acerta em diversos momentos, entretanto, do clímax até o desfecho há muita informação e soa um pouco abrupta a passagem até a cena final da trama. Mas ainda assim há uma busca pela experimentação e um empenho perceptível de Tatá em contar a história desta mulher que tem muita relação com ela, no entanto, não se trata de uma cinebiografia.

Toc: Transtornada Obsessiva Compulsiva provoca boas risadas, tem pitadas de drama, exibe momentos cênicos poéticos, outros nem tanto, mas investe em ousadias visuais que o deixam com um ar pop e inventivo. Com um discurso atual, o longa pode agradar aos fãs dos programas apresentados pela humorista nos canais segmentados. Portanto, não segue a linha da comédia tradicional mainstream, porém, não se propõe a ser cult.

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